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Trabalho infantil põe em risco setor do tabaco no Malawi
Texto F.P. | Foto Lusa | 01/12/2019 | 07:02
As suspeitas da utilização de mão de obra infantil na produção de tabaco levaram os Estados Unidos da América a congelar as importações. Os efeitos da medida podem revelar-se trágicos para a economia do país africano
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Os Estados Unidos da América congelaram as importações de tabaco do Malawi, por suspeitas de utilização de trabalho infantil, o que significa um duro golpe que pode pôr em perigo a principal fonte de rendimentos do país africano. A decisão apanhou os produtores de surpresa e lança sérias dúvidas em relação ao futuro do setor, já debilitado pela queda da procura mundial, provocada pelas campanhas anti-tabaco.

«Estamos desconcertados. Entendemos que já não poderemos vender as nossas folhas. Não há futuro para o tabaco no Malawi», desabafou às agências internacionais Alick Yagontha, que leva mais de 20 anos no cultivo de tabaco na região de Rumphi, no norte do país.

Segundo dados do Centro de Investimentos e Comércio do Malawi, o tabaco representa a principal fonte de divisas (53 por cento) de um dos países mais pobres do mundo e contribui para 25 por cento dos ingressos fiscais. A venda de folhas em bruto da variedade burley, a qual representa 6,6 por cento do total mundial, gerou uma receita de 210 milhões de euros, em 2017.

Estima-se que mais de um terço das crianças com idades entre os cinco e os 17 anos se vejam obrigadas a trabalhar, em especial no tabaco. Mas o ministro da Agricultura, Kondwani Nankhumwa, assegura que têm sido feitos progressos e que cerca de 80 por cento do tabaco produzido no Malawi está «livre do trabalho forçado e do trabalho infantil».

Em relação à decisão dos norte-americanos, o governante disse estar em negociações com Washington para inverter a situação. «Não há nenhuma proibição. Os americanos pressionam para que se respeitem as regras. O governo compromete-se a proteger o setor, se necessário mudando a sua política», adiantou Nankhumwa.
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