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Portugal
O legado da emigração madeirense em Trindade e Tobago
Texto Opinião | Daniel Bastos | 27/01/2020 | 11:08
A onda emigratória madeirense para a nação caribenha composta por duas ilhas, perto da Venezuela, remonta à centúria oitocentista
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No âmbito da recente estreia em Portugal do filme «1917», oitava longa-metragem do afamado realizador britânico Sam Mendes que evoca a Primeira Guerra Mundial, tem sido muito badalado o facto da película cinematográfica ser inspirada nas vivências do seu avô português Alfred Mendes. Um antigo soldado que se tornou um dos escritores de referência da literatura caribenha, e que era filho de um emigrante português que partiu da Madeira para a antiga colónia inglesa de Trindade e Tobago, na confluência do mar das Caraíbas com o oceano Atlântico.

Esta origem madeirense de «1917», um dos grandes favoritos aos óscares deste ano, tem por estes dias impelido a redescoberta do fluxo emigratório oitocentista madeirense para Trindade e Tobago. Uma onda emigratória profusamente estudada por Vítor Paulo Freitas Teixeira, especialista em Estudos Interculturais (Variante de Estudos Luso-Brasileiros), e autor da tese «Entre a Madeira e as Antilhas: a emigração para a Ilha de Trindade: século XIX».

Como aponta o investigador natural da Camacha, a onda emigratória madeirense para a nação caribenha composta por duas ilhas, perto da Venezuela, remonta à centúria oitocentista. Uma época em que as crises agrícolas, o excesso demográfico e o recrutamento militar obrigatório que atingiram a pérola do Atlântico, compeliram mais de dois milhares de madeirenses a emigrar para as Antilhas Britânicas, em particular para Trindade e Tobago, nas plantações de cana-de-açúcar.

No início do século XX, vários destes madeirenses ou seus descendentes, tornar-se-iam donos de pequenos comércios. Reminiscências que ainda hoje perduram em anúncios em Porto de Espanha, capital de Trindade e Tobago: Camacho Bros., Ferreira Optical, padarias Coelho´s, ou o famoso Rum Fernandes, uma bebida secular, entretanto vendida à multinacional Baccardi.

A presença madeirense em Trindade e Tobago esteve ainda no alvorecer do século XX na base da criação da Associação Portuguesa Primeiro de dezembro, um Clube Português cujo «objetivo de unir a comunidade madeirense, e aumentar o seu prestígio na colónia inglesa», constitui segundo Vítor Paulo Freitas Teixeira, um «elo com o passado, e um tributo aos antepassados que fizeram um século XIX de presença madeirense na Ilha de Trindade, e um reforço aos descendentes que continuaram a caminhada no século XX».
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