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Portugal
Médicos católicos contra a legalização da eutanásia
Texto F.P. | Foto DR | 14/02/2020 | 08:42
Clínicos temem desinvestimento nos cuidados paliativos, caso a eutanásia seja aprovada no Parlamento. E recusam assumir o papel de «carrascos», executando um homicídio, mesmo a pedido do doente
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A Associação dos Médicos Católicos Portugueses (AMCP) reiterou, em comunicado, a sua oposição à legalização da eutanásia em Portugal, considerando que a eventual aprovação da lei, a ser discutida no próximo dia 20 de fevereiro, na Assembleia da República, «coloca os doentes com doenças graves e incuráveis numa situação de enorme pressão», tendo em conta que «a maioria da população não tem acesso aos cuidados paliativos».

«Muitos doentes, de modo particular os que se encontram numa maior solidão, serão pressionados a requerer a eutanásia, porque sem um adequado apoio no fim de vida, sentir-se-ão inúteis e mais um fardo para a sociedade. O Estado, ao não garantir um apoio universal nos cuidados paliativos, irá precipitar que estes doentes caiam no desespero, desistam de viver, e peçam a eutanásia», sublinham os médicos.

Para os dirigentes da AMCP, «não compete à medicina dar respostas sobre o sentido da vida, mas sim tratar as doenças, cuidar e aliviar o sofrimento humano». E a eutanásia e o suicídio assistido «não são tratamentos médicos». Neste contexto, consideram que «não cabe aos médicos assumirem o papel de autênticos carrascos, executando um homicídio, ainda que ele ocorra a pedido do doente e tenha cobertura legal».

«Através da eutanásia, a vida dos doentes perde valor com uma grande facilidade, a morte é banalizada, criando-se um verdadeiro genocídio dos mais fracos. É urgente humanizar o fim de vida», reforçam os clínicos, manifestando a esperança de que os projetos de lei propostos por vários partidos serão rejeitados pelos deputados.
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