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Fátima
30ª Peregrinação Anual da Família Missionária da Consolata
Jovens vivem noite festiva e missionária em Fátima
Texto Juliana Batista | Foto Juliana Batista | 14/02/2020 | 23:32
Centenas de jovens ligados à Consolata celebram a missão com música e mensagens de fé e esperança, na noite que precede a Peregrinação dos Missionários da Consolata
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Música, alegria, esperança e fé marcam a noite desta sexta-feira, 14 de fevereiro, nas instalações dos Missionários da Consolata, em Fátima. A vigília jovem que antecede a 30ª Peregrinação da Família Missionária da Consolata a Fátima reúne na Cova da Iria cerca de 300 jovens, dos 13 aos 22 anos, de localidades tão diversas como Amadora, Zambujal, Cacém, Figueiró dos Vinhos, Sertã, Lourosa, Ermesinde, Águas Santas e Valongo.

 

A noite é animada pela banda «Discípulos de Fátima», que proporciona aos jovens uma hora de música evangelizadora, conferindo um ambiente de festa e alegria ao Centro Missionário Allamano. Simão Pedro, sacerdote e responsável pela Pastoral Juvenil dos Missionários da Consolata, destaca a importância desta atividade para a congregação, para os participantes e para o mundo.

 

«O propósito desta noite é, em primeiro lugar, celebrar estes 30 anos da beatificação de José Allamano, fundador dos Missionários e Missionárias da Consolata. Olhamos para o exemplo deste grande homem, que teve este desejo de levar o Evangelho ao mundo inteiro. O ojetivo é que estes jovens acordem para esta temática, que é levar o Evangelho ao mundo inteiro e, especialmente, a solidariedade para com os mais pobres.»

 

A opção pela banda «Discípulos de Fátima» acontece porque os próprios músicos se consideram «evangelizadores». «O objetivo principal desta banda é evangelizar, é falar de Jesus de uma maneira jovem, aos jovens. Nós, realmente, na Igreja, hoje em dia, estamos a falhar no sentido em que não estamos a conseguir mostrar aos jovens quão revolucionário é Jesus, quanto interessante é Jesus. Estes `Discípulos de Fátima´ estão, através da música, a conseguir fazer isso. Levar estes jovens a conhecer Jesus, a ter um encontro com Jesus, que possa mudar a vida deles. Fazê-los missionários, fazê-los evangelizadores», explicou Simão Pedro, em declarações à FÁTIMA MISSIONÁRIA.

 

Além da música, os mais novos vão poder escutar as palavras de Diamantino Antunes, primeiro missionário da Consolata português a ser ordenado bispo, que por estes dias deixa temporariamente a diocese que acompanha em Moçambique, para presidir a esta peregrinação. «Apelamos a que os jovens se mantenham firmes na fé, com forte espírito missionário porque a fé só cresce na medida em que se vive e se testemunha. A missão da Igreja é uma responsabilidade nossa. Ser cristão é estar em missão. Como nos recorda o Papa Francisco, nós somos batizados para sermos enviados, para testemunhar Cristo ao mundo, com coragem e sem medo», referiu o bispo de Tete, uma diocese moçambicana maior que Portugal, onde o bispo português já visitou todas as paróquias.

 

O prelado dá realce à participação dos mais jovens no seio da Igreja. «Os jovens são não só o futuro da Igreja. São já o presente da Igreja. Na medida em que estão inseridos nas atividades das comunidades, em que se identificam com Cristo e com a Igreja, é que podemos ter a certeza de futuro. A Igreja em Portugal precisa de renovação e, de facto, os jovens são importantes», alerta o prelado.

 

O bispo dá ainda destaque ao exemplo de tantos jovens que deixam a sua vida profissional para se dedicarem aos mais frágeis. «Hoje as vocações para a vida missionária e consagrada diminuem, mas há muitos jovens que se oferecem para dedicar um pouco da sua vida ao serviço dos mais pobres e da Igreja. Este contacto com os missionários, e de modo particular com os missionários da Consolata, é muito importante para a sua vida cristã, porque são interpelados, motivados e animados para dentro da sua comunidade e paróquia, levarem uma lufada de ar fresco, de espírito missionário, para poderem renovar as estruturas e o modo de agir pastoral. E depois alguns sentem necessidade de dar algum tempo da sua vida ao serviço da missão fora do contexto onde vivem, como voluntários, como leigos missionários, e então, sem dúvida que a Igreja em África, e concretamente em Tete, está aberta. Temos experiência de leigos e famílias que vão, e dão um bom testemunho de fé, ao serviço dos mais pobres e daqueles com os quais trabalhamos.»

 

Quem também está entre os jovens é Gianni Treglia, sacerdote Superior Provincial dos Missionários da Consolata, que sensibiliza os mais novos para o tema desta peregrinação. «A primeira mensagem a dirigir aos jovens é o próprio tema da peregrinação – `Atreve-te a seguir Jesus!´ Ter coragem de seguir Jesus! Allamano, o nosso fundador, teve, num período especial da história, a coragem de seguir Jesus, com todas as forças, e convencer outros missionários para arrancar e evangelizar, e levar o Evangelho pelo mundo inteiro».

 

O sacerdote italiano destaca a coragem do fundador da congregação a que pertence. «Allamano teve coragem para seguir Jesus, olhar para longe e sonhar alto. Ele tinha uma perspetiva de olhar para lá do horizonte, sem limites. Ele, que era já o reitor do maior santuário de Turim (Itália), que era responsável também da casa do clero, que era super respeitado, e que já tinha, digamos, a vida bem organizada, podia ter ficado contente com isso, mas não. Teve coragem! Ao ouvir este chamamento – `Atrever-se a seguir Jesus´ – ele teve coragem de sonhar mais longe e de ir mais longe, além fronteiras», realça o responsável.

 

Gianni Treglia pede aos jovens que não se encerrem nas suas próprias vidas e que partam à descoberta dos outros e do mundo, à semelhança do beato José Allamano. «Como o Allamano, é preciso não ficar fechado no seu próprio ambiente, no seu próprio espaço, porque Jesus está sempre um passo mais à frente, quer sonhar sempre mais além e cada um de nós tem de sentir esse chamamento e deixar-se seguir pelo exemplo de Allamano, para ir aos confins da terra», apela o missionário.

 

Entre os participantes estão jovens do nono ano de catequese de Figueiró dos Vinhos. Participam na Peregrinação da Consolata pela terceira vez. «Gosto muito de participar nesta atividade dos missionários. Já venho há vários anos e gosto sempre de ouvir as histórias dos missionários. Lembro-me de um missionário falar sobre a recuperação de uma escola em África e isso prende-me a atenção. Eles mostram vídeos e nós percebemos outras realidades. Acho o trabalho dos missionários espetacular. Aqui percebemos que não custa ajudar e que os outros precisam dessa ajuda», refere Carolina David, de 14 anos.

 

Para Juliana Fonseca, repetir a experiência é uma oportunidade para «conhecer melhor este trabalho dos missionários». «É bom ver que há gente que pode ajudar aqueles que realmente mais precisam», considera a adolescente de 14 anos. Ana Pereira não tem a certeza de quantas vezes participou já na Peregrinação dos Missionários da Consolata, mas de uma coisa ela está certa – Quer ser missionária no futuro. «Gostava muito de um dia ir para as missões. Gostaria, especialmente, de estar em missão em Angola. Gostaria de perceber como é aquela realidade e ajudar aquelas pessoas», diz a jovem de 16 anos.

 

Neuza Carvalho também integra a vigília da peregrinação, sob influência das amigas. Participa pela primeira vez, na certeza de que esta é uma experiência que lhe fará bem. «É uma experiência nova e senti que seria bom vir», acredita a adolescente, de 14 anos. No Centro Missionário Allamano, a noite é de partilha, convívio e festa. Criam-se e acentuam-se laços de amizades, sob um teto coberto de bandeiras de todo o mundo. A 30ª Peregrinação da Família Missionária da Consolata inicia na noite desta sexta-feira e prossegue sábado, 15 de fevereiro, com uma via-sacra missionária nos Valinhos de Fátima e uma Eucaristia presidida por Diamantino Antunes, bispo de Tete (Moçambique).

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