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Fátima
Cónego Formigão vai ter monumento
Texto Fernanda Frazão | 03/02/2005 | 00:00
O escultor Fernando Marques foi seleccionado para fazer um conjunto escultórico de homenagem ao Cónego Formigão, a instalar na Casa de Nossa Senhora das Dores
Depois de ter inaugurado uma escultura de Jesus descido da cruz e entregue à sua mãe, na Rua Jacinta Marto, no passado dia 8 de Dezembro, Fernando Marques prepara-se para inaugurar ainda este mês mais um trabalho em Fátima. Trata-se de conjunto escultórico do Cónego Formigão a colocar na Casa de Nossa Senhora das Dores. Diz, com deslumbramento e satisfação, que “Fátima é um sítio muito frequentado por estrangeiros”. Por isso, sabe que os seus “trabalhos são fotografados por muita gente de fora” e que “estão divulgados pelo mundo fora”. Este escultor de Leiria começou a fazer as esculturas em pequeno. “Já em criança gostava de brincar aos escultores”, revela. E nunca mais parou. “Contactei com pessoas que trabalhavam na escultura, fui-me formando a mim mesmo, fui trabalhando, fui fazendo coisas. E muito mais tarde, fui para as Belas-Artes”, recorda ainda. Acabou, no entanto, por consolidar a escultura e o ensino. “Sempre tive a preocupação de ter uma base financeira, por isso estive no ensino até me aposentar”, revela o escultor de 70 anos. “Poucos são aqueles que se podem dar ao luxo de só trabalharem em escultura”, comenta ainda. Ao longo da sua carreira, este artista explorou várias técnicas e experimentou diversos materiais. “Não tenho predilecção especial por materiais. Há trabalhos que ficam bem em bronze, outros que ficam bem em pedra”, esclarece, para depois sublinhar que gosta sempre do trabalho final quando ele sai realmente de acordo com aquilo que idealiza. As esculturas de Fernando Marques têm, geralmente, formas grandes, mas não intimidam. “Numa praça com uma dimensão razoável não vou pôr um elemento escultórico pequenino”, refere este escultor, que diz ter perdido a conta às esculturas que produziu até hoje. E depois explica que a escultura “tem que estar de acordo com a dimensão do espaço”. “No caso do Monumento aos Pastorinhos, não ia pôr os pastorinhos carrancudos. Nem era agradável, nem era o espírito. O espírito das crianças é um espírito puro e essa pureza transmite-se por uma expressão agradável e não por uma expressão carrancuda”, considera, ao mesmo tempo que confessa não gostar de fazer “coisas feias”. Isto porque, seria estar a “horrorizar as pessoas”. E “desse género não gosto”. Conhecido por seguir um estilo mais tradicional, o artista discorda. Para ajudar a explicar porquê recorre à escultura inaugurada recentemente em Fátima. “Eu não ia representar Nossa Senhora e Cristo com umas linhas excessivamente modernas”, embora insista que haja um “trabalhado moderno das figuras, tanto no seu panejamento, como na solução anatómica”. Admite, contudo, que “para representar figuras com características religiosas” não pode “fugir para uma coisa muito moderna porque não é aceite”. Quanto ao actual panorama da escultura, esse, infelizmente, não tem “lugar para os novos escultores”, considera. E explica porquê. “Há pouco mercado. Há uma certa luta, digamos uns lobbies, que levam a que muitas vezes não se possa vencer no campo”, critica. Artista de vários talentos, Fernando Marques confessa gostar “de vez em quando de pintar”, tendo já realizado diversas exposições. O vitral também tem merecido a sua atenção. “Gosto de fazer vitrais. De vez em quando lá aparece uma solicitação e eu vou fazendo”, revela o escultor, que tem igualmente recebido convites para executar painéis de azulejo. Também já produziu várias ilustrações.