O governo brasileiro concedeu uma licença ambiental para a construção de uma barragem hidroeléctrica em Belo Monte, na Amazónia. O projecto estimado em 17 mil milhões de dólares vai estender-se por 500 quilómetros quadrados. Vai afectar, consideravelmente, as florestas da região e a vida de milhares de índios que serão obrigados a deslocar-se, alerta a organização para a defesa dos direitos indígenas, Survival. Os grupos autóctones protestaram durante uma semana contra o projecto, em Outubro passado. Numa carta ao presidente Lula da Silva, os Kayapó afirmaram: «Não queremos que a barragem destruía o ecossistema e biodiversidade que nós protegemos há milénios e podemos continuar a preservar».
A construção de uma barragem nessa região do norte do Brasil é um projecto antigo. Nos anos 1980, a oposição internacional impediu por várias vezes a prossecução do mesmo. O bispo de Xingu, Erwin Krautler, é um dos opositores. Receia que os índios recorram à violência e lembra que os estudos ambientais não estão completos. Prevê-se que seja a terceira maior barragem do mundo. Trata-se de um projecto controverso que originou divisões e tensões no seio da própria agência governamental para o ambiente, IBAMA.