«Por enquanto, ainda sentimos que as crianças são aquelas com quem nos podemos relacionar melhor», afirma Domingos Forte. Há uma série de questões sociais que dificultam o contacto entre os missionários e o povo mais jovem. O medo ligado ao aumento de casos de pedofilia, assim como a vitória dos telemóveis e jogos virtuais sobre as brincadeiras de rua são dois exemplos. «É cada vez mais difícil vermos as crianças a brincar na rua, a correrem umas atrás das outras. É muito complicado», observa o missionário da Consolata.
Mesmo a catequese já reflecte alguma impaciência das crianças. «Elas vêm, mas é com a atitude de quanto mais depressa terminar melhor». Apesar das barreiras, continuam a ser as mais abertas às palavras dos padres e missionários, embora de forma temporária. «Passado algum tempo, elas deixam de acreditar. Talvez, porque o que ouvem na catequese não tem continuidade em casa. E a escola, a sociedade encarrega-se de desmontar tudo isso». «A questão de Deus, hoje em dia, coloca-se de outra maneira. Deus é vivido como uma questão privada, pessoal. Não tem uma implicância com a comunidade», constata.
«Preocupa-nos muito que aquilo em que acreditamos se projecte no ambiente em que vivemos». «Senão que fé é que eu vivo se ela não é incorporada numa comunidade», interroga-se o jovem missionário. Mas os tempos mudam e a sociedade acompanha a evolução. A vida desenrola-se nas grandes áreas comerciais. «Quando as pessoas têm um tempo livre, um fim-de-semana é para lá que eles vão». Mesmo nas regiões mais remotas já se nota algum distanciamento entre as pessoas, tal como nas cidades.