«Ainda me estou a ambientar e a observar o que me rodeia. A língua, embora seja o português, tenho de fazer um esforço para falar devagar e estar muito atenta para conseguir entender o que dizem», afirmou à FÁTIMA MISSIONÁRIA, a partir de Calungá. Durante este processo de habituação ao clima, às gentes, à aterra, já teve a oportunidade de contactar com alguns indígenas que «me disseram que não compreendiam o que dizia», refere. A língua será um desafio em Catrimani, para onde deverá ir no próximo domingo, 13 de Março, acompanhada da irmã Noemi e do padre Conrado. Ali será a sua nova casa por três anos.
«Muitas coisas são muito diferentes: as casas com as suas formas e coloridos, as árvores que rodeam as habitações (mangueiras), as ruas, o trânsito, tudo é diferente. Mas as pessoas, embora de outra cor ou raça, são iguais. «Sempre que sorria para alguém esse sorriso é retribuído», comenta.
Na missão de Calungá foi acolhida pelos leigos espanhóis, o casal Judith e António, com as duas filhas, e a Marta. Um acolhimento alargado pelos missionários da Consolata que trabalham na missão.«Há um missionário da Consolata, com 90 anos, que me oferece uma manga, a todas as refeições», comenta.
Por estes dias, Lígia Cipriano já teve oportunidade de participar numa Via-Sacra. «Achei interessante a simplicidade e o acolhimento. Estavam poucas pessoas, mas mesmo assim elas não desistem e via-se a felicidade de acreditar num Deus que tudo nos dá.», faz notar. Na Casa de apoio à saúde do índio, «fiquei sem palavras e jamais imaginava o que vi». Famílias inteiras de índios acompanham os seus doentes e permanecem no exterior do equivalente ao centro de saúde.
E se o português não foi o elo de ligação entre a leiga missionária da Consolata e os índios, foram-no os sorrisos. «Ver um sorriso naquelas crianças é maravilhoso, como não falava, sorria e recebia o mesmo sorriso».