Álvaro Pacheco | Diretor da Fátima Missionária

Dizia São José Allamano – “O Instituto da Consolata é uma família. Vós sois todos irmãos: deveis viver juntos, preparar-vos juntos, para depois trabalhardes juntos por toda a vida.” O conceito de “família” sempre foi muito importante para Allamano, tanto que se considerava “pai” dos seus formandos e missionários – a quem dizia “o espírito sou eu que vo-lo dou” – incluindo o de família, da qual Maria Consolata era a mãe. Daí ser importante, entre outros, o valor da comunhão e partilha de vontades: tal como na família natural, é importante que na família religiosa haja uma harmonia e união de valores, projetos e ideais, para que a missão seja depois reflexo da união com Cristo, o qual rezou para que os seus “fossem um como Ele e o Pai são um” (João 17:21).

Recordo que, nos primeiros anos de formação, era-nos dito que a primeira forma de fazer missão era através do testemunho que dávamos enquanto comunidade, enquanto “família”. Porém, como acontece na família natural, nem sempre é fácil pôr em prática o espírito de família nas comunidades religiosas. Para tal, é necessário unir as vontades… com a vontade de Deus! E como fazer isso? Um dos desafios maiores à manutenção deste “espírito de família”, seja em que família for, é precisamente o de harmonizar as vontades dos seus membros: dado que fomos criados por amor e para o amor, devemos trabalhar a nossa vontade, postura e propósitos segundo o valor da comunhão, no qual ninguém é mais do que ninguém, todos são valiosos, partilham o que têm e são de melhor, e contribuem para o crescimento saudável e abençoado da sua família/comunidade.

Tal como Maria, a cheia de graça, se tornou graça, isto é, bênção para tantos através da entrega generosa e humilde do seu “Sim”, do cuidado atento e disponível para com o próximo, tornando-se Mãe da humanidade, simbolizada na pessoa de São João Evangelista, também somos convidados e desafiados a sermos “mãe, pai, irmão e irmã” do próximo, daqueles a quem Cristo nos envia como seus discípulos missionários. E convém recordar o ditado que diz “O amor começa em casa!” Ou seja, só com o amor é que uma casa se transforma num lar, os amigos se tornam família e a missão da Igreja pode transfigurar o coração da humanidade.

Álvaro Pacheco, missionário da Consolata