Em todo o mundo, 20 por cento ou mais dos adultos abandonaram a sua religião de infância, sendo o cristianismo e o budismo as religiões que sofreram as maiores perdas, segundo o estudo “Around the world, many people are leaving their childhood religions”, publicado pelo centro de estudos Pew Research Center, na última quarta-feira, 26 de março. No âmbito deste estudo, divulgado pelo jornal Crux, foram entrevistadas quase 80 mil pessoas, em 36 países, onde há uma variedade de religiões que incluem o budismo, cristianismo, hinduísmo, islamismo e judaísmo.
A investigação mostrou que a maior parte das mudanças religiosas aconteceram em pessoas que foram criadas numa religião, mas que agora não têm filiação religiosa. E a maioria desta desfiliação aconteceu entre os que foram criados como cristãos. Nos 27 países analisados com amostra suficiente de cristãos, foram mais as pessoas que deixaram o cristianismo do que aquelas se juntaram a ele.
Os países ocidentais estão no topo da lista onde as pessoas que foram criadas como cristãs agora se descrevem como religiosamente desfiliadas. A maioria dos que abandonaram o cristianismo são desfiliados religiosamente e não pensam aderir a outra religião. Espanha lidera esta lista, com 35 por cento dos adultos criados como cristãos a descreverem-se agora como religiosamente desfiliados. Outros países nos lugares cimeiros da lista de cristãos desfiliados são a Suécia, Alemanha, Holanda, Canadá e Reino Unido. Os Estados Unidos da América estão no meio da listagem.
Apesar das desfiliações religiosas, nos 27 países analisados com amostra suficiente de cristãos, a maioria dos cristãos manteve a sua religião. Nas Filipinas, Hungria e Nigéria, por exemplo, quase todas as pessoas criadas como cristãs assumem-se como cristãs em adultas. Singapura e Coreia do Sul têm taxas relativamente altas de entrada no cristianismo, mas os cristãos mantêm-se uma minoria.
Os países com mais mudanças religiosas são a Coreia do Sul (50 por cento dos adultos mudaram de religião), Espanha (40 por cento), Canadá (38 por cento), Suécia (37 por cento) e Holanda e Reino Unido (ambos com 36 por cento). Os países com menos mudanças religiosas são a Tunísia, Bangladesh, Indonésia, Israel, Índia e Tailândia.
O relatório mostra ainda que na maioria dos países inquiridos percentagens aproximadamente iguais de adultos mais jovens e mais velhos mudaram de religião. No entanto, em 13 países, pessoas com menos de 35 anos têm mais probabilidade de mudarem de religião do que pessoas com 50 anos ou mais.
Apesar das desvinculações do cristianismo, esta religião mantém uma presença profunda em todo o mundo. “Embora estes números reflitam tendências religiosas em 36 países incluídos na investigação, eles não são necessariamente representativos de toda a população mundial. O cristianismo – a maior e mais difundida religião do mundo, pelas estimativas do Pew Research Center – é a fé maioritária atual ou, historicamente, tem sido uma religião predominante em 25 dos países inquiridos”, indica o centro de estudos.